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Burnout e vida social: porque é que até estar com quem gostamos pode parecer demasiado?

Quando pensamos em burnout, é comum imaginarmos alguém exausto devido ao trabalho.

Mas as consequências podem não ficar limitadas ao horário profissional.

Quando existe um estado significativo de exaustão, aquilo que antes parecia simples pode começar a exigir um esforço enorme. Responder a mensagens, combinar um jantar, manter uma conversa ou simplesmente estar disponível para outras pessoas pode parecer demasiado.

E é possível que comeces a afastar-te.

Não necessariamente porque deixaste de gostar das pessoas à tua volta, mas porque sentes que já não tens energia para dar.

“Não me apetece estar com ninguém.”

Quando os recursos físicos e emocionais estão muito reduzidos, tendemos naturalmente a selecionar aquilo a que conseguimos responder.

Depois de um dia de elevada exigência, talvez sintas que precisas apenas de silêncio.

Uma mensagem fica por responder.

Um convite é recusado.

Começas a adiar encontros.

E aquilo que, inicialmente, era uma necessidade legítima de descanso pode transformar-se progressivamente em afastamento.

O isolamento também pode criar um ciclo difícil: estás exausta e afastas-te para recuperar. Ao mesmo tempo, podes perder contacto com relações e atividades que anteriormente constituíam fontes importantes de prazer, significado e apoio.

Burnout não é simplesmente “estar muito cansada”

A Organização Mundial da Saúde descreve o burnout como um fenómeno ocupacional associado a stress crónico no trabalho que não foi adequadamente gerido. Caracteriza-o por exaustão, maior distanciamento mental ou negativismo relativamente ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Isto significa também que nem todo o cansaço, isolamento ou desmotivação corresponde a burnout.

Sintomas semelhantes podem surgir em diferentes situações e problemas psicológicos, pelo que é importante compreender o contexto em vez de assumir automaticamente um diagnóstico.

Alguns sinais merecem atenção

Pode ser importante refletires sobre o que está a acontecer se percebes que:

  • tens cada vez menos energia depois do trabalho;
  • começaste a afastar-te das pessoas;
  • atividades de que gostavas deixaram de despertar interesse;
  • sentes irritabilidade ou menor tolerância nas relações;
  • o trabalho continua mentalmente presente mesmo quando já terminou;
  • o descanso parece nunca ser suficiente;
  • sentes-te progressivamente mais distante ou negativa em relação ao trabalho.

Mais importante do que um sinal isolado é observar o padrão, a duração e o impacto que estas mudanças estão a ter na tua vida.

Recuperar também implica reconstruir espaço para viver

Descansar é importante, mas recuperar pode implicar olhar para aquilo que está a consumir os teus recursos e para aquilo que os pode reconstruir.

Que relações te fazem sentir segura?

Que atividades foram desaparecendo da tua vida?

Há quanto tempo não fazes alguma coisa simplesmente porque gostas?

O que precisaria de mudar no teu contexto profissional?

Que limites estão a ser ultrapassados repetidamente?

Por vezes, recuperar passa também por olhar para o contexto de trabalho e perceber o que precisa de mudar.

Cuidar da tua saúde mental pode também significar recuperar espaço para relações, descanso, prazer e outras dimensões da tua identidade que existem para além do trabalho.