Ansiedade
Será que a ansiedade está a influenciar a tua vida mais do que imaginas?
Quando pensamos em ansiedade, é fácil imaginarmos sintomas muito evidentes: coração acelerado, falta de ar, tremores ou uma crise de pânico.
Mas a ansiedade nem sempre aparece dessa forma.
Por vezes, manifesta-se de formas muito mais discretas e influencia as nossas escolhas sem que percebamos imediatamente que o medo está por detrás delas.
Quando a ansiedade se esconde no quotidiano
Talvez digas frequentemente “sim” quando gostarias de dizer “não”, porque receias desiludir alguém, criar um conflito ou ser rejeitada.
Talvez evites situações novas porque não sabes exatamente aquilo que vai acontecer.
Podes demorar demasiado tempo a tomar decisões simples, tentando descobrir qual é a opção “certa”.
Ou rever mentalmente uma conversa várias vezes, procurando perceber se disseste alguma coisa errada.
Para algumas pessoas, a ansiedade aparece através de preocupação constante com o futuro. Para outras, através de perfecionismo, procrastinação, necessidade de controlo ou procura repetida de tranquilização.
“Mas se eu sou perfecionista, isso significa que tenho ansiedade?”
Não necessariamente.
Estes comportamentos podem estar ligados à ansiedade, mas também podem ter outras origens.
O importante é compreender a função que cada comportamento está a desempenhar.
Por exemplo, duas pessoas podem adiar exatamente a mesma tarefa por razões completamente diferentes.
Uma pode simplesmente não estar interessada.
Outra pode adiá-la porque pensa:
“Se eu tentar e falhar, significa que não sou suficientemente boa.”
Nesse segundo caso, a procrastinação pode funcionar como uma forma de evitar temporariamente o medo de falhar.
O alívio imediato pode ter um custo
Muitos comportamentos associados à ansiedade fazem sentido quando percebemos aquilo que proporcionam no imediato.
Evitas → sentes alívio.
Pedes a alguém que te tranquilize → sentes alívio.
Verificas novamente → sentes alívio.
Adias a decisão → sentes alívio.
Mas esse alívio pode ensinar ao cérebro que precisavas daquele comportamento para estar segura.
É assim que algumas estratégias aparentemente protetoras acabam por contribuir para manter o problema.
Experimenta observar, em vez de te julgares
Quando perceberes que estás a evitar, adiar, verificar ou procurar certezas, experimenta substituir a autocrítica por curiosidade:
“O que estou com receio que aconteça?”
“O que estou a tentar evitar sentir?”
“O que este comportamento me dá no imediato?”
“E o que me custa a longo prazo?”
Estas perguntas não servem para te culpares. Servem para começares a compreender o padrão.
Porque, muitas vezes, a mudança começa precisamente aqui: quando deixamos de olhar apenas para aquilo que fazemos e começamos a perceber porque é que precisamos de o fazer.
Se a ansiedade está progressivamente a limitar as tuas escolhas, relações, trabalho ou qualidade de vida, procurar acompanhamento psicológico pode ajudar-te a compreender estes ciclos e a desenvolver formas mais flexíveis de responder-lhes.