Bem-estar
Estar sempre ocupada não é o mesmo que estar bem
Vivemos num mundo que valoriza muito o “estar ocupado”.
Agendas preenchidas, dias produtivos, objetivos cumpridos e a sensação de que estamos constantemente a fazer alguma coisa podem ser facilmente associados a sucesso, competência e realização. Pelo contrário, parar pode trazer desconforto e, para algumas pessoas, até culpa.
Talvez já tenhas dado por ti a pensar:
“Devia estar a fazer alguma coisa.”
“Não posso perder tempo.”
“Descanso quando acabar isto.”
O problema é que esse “quando” pode nunca chegar.
Há sempre mais uma tarefa, uma mensagem por responder, algo para organizar, alguém que precisa de nós ou um objetivo que ainda não foi alcançado.
Quando estar ocupada se torna uma forma de viver
Ter uma vida preenchida não é, por si só, um problema. Podemos ter períodos exigentes, trabalhar muito e, ainda assim, sentirmo-nos realizados.
A questão está no equilíbrio.
Quando passamos demasiado tempo em exigência constante e com poucas oportunidades de recuperação, podemos começar a notar sinais como irritabilidade, cansaço persistente, dificuldade em concentrar-nos, alterações no sono ou uma sensação de que estamos permanentemente “ligados”.
Por vezes, até os momentos de descanso deixam de ser verdadeiramente reparadores porque, fisicamente, parámos, mas mentalmente continuamos a percorrer a lista de tudo aquilo que ainda falta fazer.
E se o teu valor não dependesse da tua produtividade?
Para algumas pessoas, existe uma associação profunda entre aquilo que fazem e aquilo que sentem que valem.
“Se não estiver a produzir, estou a ser preguiçosa.”
“Tenho de conseguir dar conta de tudo.”
“Não posso desiludir ninguém.”
“Só posso descansar quando tiver tudo feito.”
Estes pensamentos podem levar-nos a ultrapassar repetidamente os nossos próprios limites.
Pode ser útil começares a observar a forma como te relacionas com o descanso. Quando paras, consegues realmente permitir-te parar? Ou aparece culpa, inquietação ou a sensação de que devias estar a fazer algo mais “útil”?
Cuidar de ti não é mais uma tarefa para cumprir
Autocuidado não significa acrescentar mais obrigações a uma agenda que já está cheia.
Nem precisa de significar meditação, exercício, banhos demorados ou qualquer outra atividade específica.
Por vezes, cuidar de ti significa dormir. Dizer “não”. Pedir ajuda. Reduzir uma exigência. Fazer uma pausa sem a transformar numa oportunidade para ser produtiva. Retomar algo que te dá prazer. Ou reconhecer que não consegues continuar a responder a tudo da mesma forma.
O objetivo não é construíres uma rotina perfeita de autocuidado. É começares a incluir as tuas próprias necessidades na equação.
Podes experimentar perguntar-te:
“O que preciso neste momento?”
E, talvez ainda mais importante:
“Tenho-me permitido ouvir a resposta?”
O teu bem-estar pode fazer parte da forma como escolhes viver, todos os dias, enquanto tudo o resto acontece.